
Na noite de ontem (9), o Chelsea anunciou a demissão do treinador Luiz Felipe Scolari. Uma decisão forte, mas não exatamente inesperada. O time exibia um desempenho abaixo do esperado nesta temporada e o empate com o Hull City – jogando em Londres – apenas precipitou a demissão.
O principal motivo para a demissão de Felipão do Chelsea foi a vaidade do elenco azul. Nem sempre dá para acomodar estrelas do quilate de Lampard, Ballack, Drogba, Deco e Joe Cole na mesma equipe. Talvez o problema tenha origem há sete meses atrás. Nunca iremos saber como o time recebeu a chegada de Deco – homem de confiança de Felipão e trazido para fazer a ponte entre a comissão técnica e os jogadores.
Drogba queria tratamento especial. O mesmo Drogba e Joe Cole viraram sócios de carteirinha do departamento médico – o time chegou a ter 25% do elenco lesionado. Ricardo Carvalho resmungava por treinar em dois períodos. Até o fato do time hospedar-se em hotéis três estrelas – antes ficavam em hotéis nota máxima – era motivo para reclamação. Junte-se a isso a recusa de Roman Abramovich, o milionário dono do Chelsea, em abrir o bolso para novas contratações e você entenderá por que Felipão não conseguiu trabalhar bem no clube inglês.
Uma combinação explosiva da dureza do treinador, da vaidade do time e do aperto econômico explicam a queda de Scolari. Pois certamente o desempenho de Luiz Felipe à frente da equipe não pode justificar a demissão. Os 63% de aproveitamento durante o período no qual ele treinou o time londrino são superiores ao seu rendimento como técnico de Portugal. Como treinador dos lusos, ele obteve 61% dos pontos disputados.
Para se ter uma idéia, é apenas a segunda demissão de Scolari em 25 anos de carreira – a primeira foi no CSA, de Alagoas, ainda nos anos oitenta. Penso que o Chelsea errou: os confrontos com a Juventus de Turim, pela Champions League serviriam para Felipão mostrar sua habilidade em mata-matas. Não acho que o holandês Guus Hiddink, o novo treinador dos “Blues” consiga fazer melhor. Até a semana que vem!
