O título da coluna remete à uma peça de William Shakespeare, dramaturgo inglês do século XVI. Uma comédia inglesa é a melhor definição para explicar a novela Kaká/Milan x Manchester City. Nem o mais otimista dos admiradores do City poderia imaginar o time gastando 300 milhões de euros para ter o meia brasileiro.
Muito barulho por nada
Quando pensamos na conjuntura econômica atual, nos elencos das duas equipes e na posição das duas equipes nos campeonatos italiano e inglês, Kaká só cruzaria o Canal da Mancha se fosse louco. Mal das pernas, o Milan segue em terceiro na liga da bota. Também mal das pernas, o Manchester City é… 11o na Premier League e está a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento.
No time rubro-negro, Kaká têm como parceiros Shevchenko, Inzaghi, Ronaldinho e Alexandre Pato. No City ele dividiria o time com os inconstantes Elano e Robinho e com a estrela inglesa ascendente Wright-Philips. Na Itália, ele briga para ser campeão italiano e da Champions League. O Manchester City almeja apenas a Copa da Uefa.
É muito pouco para um craque com as qualidades de Kaká. Durante a semana, surgiu uma metáfora interessante para explicar a missão do meia no time inglês: “Kaká vai ser o Maradona do City”. Uma alusão à trajetória de Dieguito no Napoli. Tremenda bobagem, pois não há rei que destrone Manchester, Liverpool e Chelsea do dia para a noite. O melhor jogador do mundo de 2007 já tem 26 anos e não teria muito tempo para fazer do Manchester uma equipe de ponta.
Por fim, mais dois aspectos contra essa transação. Um negócio desse vulto só faria inflacionar o mercado futebolístico global, fazendo aumentar o preço dos ingressos, das transmissões. Pior para o torcedor comum. O outro fator é a identificação de Kaká com o time “rossonero”. Por mais piegas que pareça, isso o dinheiro ainda não compra. A imagem do craque com a camisa do Milan na sacada de casa dispensa comentários.
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